domingo, 13 de maio de 2012

Por favor

Por favor, cale a boca. Cansei das tuas palavras, quase todas uma mentira, mentiras que me faziam feliz sabia? Acordava com aquelas quatro palavras lindas, “Bom dia meu amor”, tinha como alguém não ficar feliz lendo isso? Meu sorriso só não era mais lindo do que quando eu te via, mas aquilo era a motivação para um dia inteiro feliz. Conversamos o dia todo, na escola, no trabalho e até antes de dormir. O assunto parecia não ter fim, falávamos sobre nossos sonhos, sobre a garota chata da tua escola, sobre a aula chata, sobre o que íamos fazer naquele dia, tirávamos fotos de coisas estranhas, de trabalhos e de momentos, ficávamos enviando um para o outro só para saber ter uma visão de como era aquilo, e quando a saudade apertava tirávamos uma foto de cada um, e mandávamos na hora, só para ver o cabelo bagunçado, a unha quebrada, a maquiagem borrada ou a espinha minúscula que tinha nascido naquele dia, mas você sempre estava linda sabia? E quando o assunto acabava, ficávamos discutindo de quem amava mais o outro… Na maioria das vezes eu te deixava ganhar, mas não era fácil. Adorava ouvir o som da sua risada, tanto pelo telefone, quanto pessoalmente. Adorava o jeito que só você tinha de me olhar, de que fazer se sentir único e especial naquele momento. Adorava te ouvir cantar, falar, gritar, xingar… Adorava sua boca, cabelo, pele, mãos e pernas. Adorava quando você me chama de “meu”, quando xingava as garotas que olhavam para mim, quando ficava com aquela cara de ciumenta boba que só você tinha, e olha que não era difícil de te ver assim, você vivia com ciúmes. Ah, como eu adorava tudo isso. As coisas estavam indo tão bem, eu acreditava em tudo, e pensava que cada sinal de sentimental era verdadeiro. Mas me enganei… Você foi ficando distante de mim, começou a se esquecer dos bons dias de cada manhã, das preocupações quando eu estava doente. Você começou a ficar fria, seca, chata… Eu, feito um idiota, comecei a ficar com medo, medo de te perder, de não te ter em meus braços. Corri, e corri, não parava de correr atrás de ti, mas você continuava a mesma, e se distanciando cada vez mais. Fui me cansando, e hoje já nem insisto mais, e nem você faz questão de vir atrás. Vivo por aí, aos cantos, sem animo e sem amor. Já me entreguei à bebida e ao cigarro, às festas e as garotas, transo sem compromisso e sem vontade, faço por fazer. E o amor? Foda-se o amor. Foda-se toda essa baboseira de amar, e de encontrar alguém único nessa vida. Sabe as nossas fotos? Eu amassei e rasguei, só não queimei, por falta de fósforo, gastei o último no cigarro que estou fumando agora. Posso estar bêbado, um pouco… Mas estou sóbrio o bastante para dizer, que de ti, só quero a distância.

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